O autointeresse e os limites da moral
DOI :
https://doi.org/10.61378/tn6b5266Mots-clés :
Autointeresse, Autocontrole, Ação, Aristóteles, EudaimoniaRésumé
Este artigo analisa o comportamento autointeressado e as exigências de alteridade da moral. Criticam-se as tentativas de explicar como a preocupação com o outro emerge de agentes inerentemente autointeressados. A superação desse impasse é proposta via ética eudaimônica aristotélica, cujo mecanismo central é a distinção entre meios e fins: enquanto o possível conflito ocorre na disputa por recursos, a felicidade como fim não é excludente. Sob esta ótica, o problema do autointeresse é reinterpretado como um problema de maturidade política: o comportamento “tirânico” é fruto do descontrole, sendo classificado como uma etapa pré-ética e imatura. A ética, portanto, pressupõe o autocontrole, que permite ao agente definir seus interesses em acordo com a razão. Conclui-se que o domínio de si supera a dicotomia eu-outro, porque o autointeresse se escreve no horizonte da comunidade política, na qual o bem individual e o bem comum se sobrepõem.
Références
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução, introdução, posfácio e notas de André Malta. São Paulo: Editora 34, 2024.
HODGSON, G. From pleasure machines to moral communities: an evolutionary economics without homo economicus. Chicago: The University of Chicago Press, 2013.
PLATÃO. A República. Tradução de Heloisa da Graça Burati. São Paulo: Rideel, 2005.
POLANYI, K. A subsistência do homem e ensaios correlatos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.
SEN, A. A ideia de justiça. Tradução de Denise Bottmann, Ricardo Doninelli Mendes. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
SMITH, A. A Riqueza das Nações: investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Hemus Editora, 2001 (1776).
ZINGANO, M. Introdução à Ética Nicomachea: III 9 - IV 15: as virtudes morais. São Paulo: Odysseus, 2020.