O luto como limite da akrasía na ética aristotélica
DOI:
https://doi.org/10.61378/pbv7ra59Schlagwörter:
Akrasía, enkráteia, philía, luto, razão práticaAbstract
Este artigo examina se o luto, compreendido como stérēsis decorrente da perda do héteros autós, pode ser interpretado à luz da akrasía na ética de Aristóteles. A partir da definição de akrasía como conflito entre juízo racional e desejo concorrente (Ética a Nicômaco, VII), sustenta-se que o luto constitui uma forma de inefetividade prática sem erro cognitivo, sendo, portanto, irredutível a esse modelo. A dor (lýpē) não implica oposição ao lógos nem a presença de um princípio desiderativo concorrente; antes, incide sobre as condições de atualização da deliberação no particular, afetando a passagem entre bouleusis e práxis. A phronesis conserva sua validade normativa, embora sua efetivação prática se encontre enfraquecida. Desloca-se, assim, a análise da falha prática do conflito motivacional para as condições de efetivação do juízo prático. Por fim, propõe-se uma modalidade de falha prática distinta tanto da akrasía quanto da virtude, na qual a mnēmē assegura a continuidade do ethos ao preservar a orientação do lógos sob condições de ausência.
Literaturhinweise
ARISTÓTELES. Nicomacheian Ethics. Trans. H. Rackham. Cambridge: Harvard University Press, 2003.
ARISTÓTELES. Metafísica. Tradução de Giovanni Reale. São Paulo: Loyola, 2002.
ARISTÓTELES. De Anima. Tradução de Maria Cecília Gomes dos Reis. São Paulo: Editora 34, 2006.
ANNAS, Julia. The Morality of Happiness. Oxford: Oxford University Press, 1993.
BROADIE, Sarah. Ethics with Aristotle. Oxford: Oxford University Press, 1991.
IRWIN, Terence. Aristotle’s First Principles. Oxford: Clarendon Press, 1988.
KONSTAN, David. Friendship in the Classical World. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.
KRAUT, Richard. Aristotle on the Human Good. Princeton: Princeton University Press, 1989.
NUSSBAUM, Martha C. The Fragility of Goodness: Luck and Ethics in Greek Tragedy and Philosophy. Revised edition. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.
HADOT, Pierre. La philosophie comme manière de vivre. Paris: Albin Michel, 2001.
PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. 13. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2014.
Downloads
Veröffentlicht
Ausgabe
Rubrik
Lizenz
Declaro que o artigo ou resenhas ou tradução é original.Ao publicar neste periódico, concordo que:
a) meus direitos autorais serão mantidos, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
b) posso assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) os artigos podem ser impressos desde que a fonte do periódico seja informada e o(s) autor(es) sejam devidamente creditados.