Entre a fuga e a morte: Sócrates, intérprete de sonhos
DOI:
https://doi.org/10.61378/v4vr3d50Palabras clave:
Sócrates, Críton, sonho, Aquiles, democracia atenienseResumen
Neste artigo, propõe-se examinar o sonho narrado por Sócrates a Críton, no diálogo homônimo, quando este o visita no cárcere de Atenas, às vésperas de sua morte, com o intuito de persuadi-lo da fuga. No relato onírico, Sócrates afirma ver aproximar-se uma mulher bela, vestida de branco, que o chama e cita um verso pronunciado por Aquiles na Ilíada. Considerando que o herói de Platão era atento aos sinais divinos e costumava interpretar seus próprios sonhos, busca-se acompanhá-lo na análise da mensagem onírica, cuja interpretação se mostra ambígua e exige, ademais, a contextualização do verso homérico. A hipótese investigada é a de que o sonho de Sócrates, em analogia ao destino dúplice de Aquiles, constitui simultaneamente uma revelação profética e a expressão de um dilema entre a fuga e a aceitação da morte. Paralelamente, observa-se a influência sobre Platão das formas de descrição e concepção dos sonhos presentes na literatura que o precede, bem como a sua própria reelaboração filosófica.
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