Temporalidade e beleza: exaiphnês no Banquete de Platão

Autores

  • Alonso Tordesillas Professeur des universités à l’Université d’Aix-Marseille, Chaire d’Histoire de la philosophie ancienne; Directeur de l’Institut d’Histoire de la philosophie.
  • Edson P. de Resende

DOI:

https://doi.org/10.61378/enun.v3i2.64

Palavras-chave:

Ideia, Temporalidade, Educação, Dialética, Platão

Resumo

O advérbio exaiphnês significa “subitamente”, “de repente”, “de improviso” e “instantaneamente”. Embora só apareça no corpus platônico em um pequeno número de ocorrências, muitas vezes, surge em contextos que envolvem, mais ou menos, explicitamente, uma reflexão sobre o conhecimento. Isolado de seu contexto dialógico, esse momento de tempo que parece/é fora do tempo, pois foi frequentemente  reproduzido pelos comentadores como proveniente de uma intuição subtraída de qualquer temporalidade, significando, assim, uma quase revelação, e, por isso, o indicador da extratemporalidade das Ideias. Reavaliando essa interpretação, o artigo propõe analisar as ocorrências dessa noção no Banquete, examinando o contexto do diálogo e também do que é conhecido sobre este conceito nos outros diálogos platônicos, o momento aparentemente descrito no Banquete como suprarracional ocorre em um elo de um processo racional, e que, consequentemente, um conhecimento extático se articula com sua determinação temporal. Apenas um método que prossiga em ordem e corretamente permitirá aproveitar o inesperadamente, o de repente, “uma beleza de tal natureza maravilhosa”. O momento que determina a mudança é um evento pontual, mas está ligado a uma longa e progressiva preparação, portanto, nós não podemos chegar a um conhecimento eidético imediatamente. Mesmo se Platão parece considerar a possibilidade de tal conhecimento extra temporal, o que o Banquete mostra, é a impossibilidade de alcançá-lo diretamente através de uma intuição noética pura, pois ele requer um processo pontuado por uma série de etapas específicas que não são separáveis do final do processo, de modo que, longe da intuição imediata, o conhecimento que estamos discutindo neste diálogo, como na República, no Crátilo, no Parmênides ou na Carta VII é, pelo contrário, dianoético e racional. Se a intuição noética existe, ela não tem uma conotação extática e suprarracional, mas é precedida pela pesquisa metódica e rigorosa, que é a base de toda pesquisa filosófica e que caracteriza o modo de proceder que Platão denomina de dialética.

Biografia do Autor

  • Edson P. de Resende
    Professor do Departamento de Filosofia da UFRRJ

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Publicado

2019-06-23